segunda-feira, 17 de maio de 2010

Destino.


Acordo com um suor gelado
Me deparo com um homem decepado
Escorrendo sangue, no seu grande buraco
Mas me chamou atenção, ele não tinha uma das mãos
No lugar do seu coração estava uma pedra
Tinha algo embrulhado, um bilhete talvez
Mas não dava para ler, estava ensopado de sangue
No seu peito, o nome da gangue que fez sua fama crescer
Era procurado, foragido, e a tantos meios sem saída
Se embrenhou mais ainda, num deserto sem fim
Ele, apesar da dor, não queria mudar
Queria só saber de matar, acabar com seus inimigos
Mas ele nem sabiam quem eram.
Ou melhor, sabia sim
Eram todos, menos eu.
Ele viveu sozinho, com "amigos" que o apunhalavam
Mas ninguém o desafiava, era bom no facão
Fazia qualquer um cair no chão e pedir perdão
Foi um dia então, que enfurecido
Um homem, com sua machesa posta a prova
Pegou o dito cujo, e o matou na judiação
Era a vez dele pedir perdão, comer o pão que o diabo amassou
Cair de joelhos, implorando, pedindo ajuda
Por tudo o que fez aos outros
Pois quem não tem amigos morre triste e sozinho
E esse infeliz, morreu ao meu lado e nem era o meu amado
O meu querido, fez uma surpresa pra mim
O deixou com um buraco no coração, igual o que fez em mim.
Da sua mão, a aliança tirou, me devolveu, era do meu pai
Que o desgraçado também matou
A sua cabeça empalhou, como um enfeite.
Tenho na sala de estar, quem entra pode olhar
aquela cara assustada pedindo pra acabar com a tortura
física que o meu amor quis lhe causar
E a pedra que continha um bilhete, dizia assim:
- O coração eu enterrei, pois, nada vai acabar com nosso amor, acabei com a ferida, ela vai apodrecer, você vai esquecer, se curar e vai viver o conto de fadas que ele não soube lhe dar.
Só desculpe-me, esqueci de drenar o sangue, para você ler o bilhete.
Não chore, ele não vai voltar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário